Diretor Sidney Lumet morre em Nova York


Indicado cinco vezes ao Oscar, cineasta de “Um Dia de Cão”, “Serpico” e “Rede de Intrigas” tinha 86 anos

Sidney Lumet em 2010, em Nova York

O diretor norte-americano Sidney Lumet morreu neste sábado (09), aos 86 anos, em sua casa em Nova York. Indicado cinco vezes ao Oscar, por clássicos do cinema como “12 Homens e Uma Sentença” (1957), “Um Dia de Cão” (1975) e “Rede de Intrigas” (1976), o cineasta sofria, segundo sua filha, de um linfoma.

Ao longo de sua carreira, Lumet dirigiu mais de 50 filmes e era um dos diretores mais prolíficos de sua geração. Filho de um ator, imigrante polonês, começou a trabalhar no circuito nova-iorquino de teatros e na sequência migrou para a televisão. Sua estreia em Hollywood, aos 33 anos, aconteceu com “12 Homens e Uma Sentença”, que se passa inteiramente numa sala de tribunal, na qual os jurados debatem exaustivamente se devem ou não inocentar o réu. O filme concorreu a três Oscars (filme, direção e roteiro adaptado), não ganhou nenhum, mas fez com que Lumet nunca mais saísse de trás das câmeras e mantivesse uma árdua rotina de trabalho.

Conhecido como um competente diretor de atores, trabalhou ao lado de grandes como Marlon Brando, Henry Fonda, Rod Steiger, Katherine Hepburn, Ingrid Bergman e Robert Duvall. Foi um dos primeiros a abordar a Segunda Guerra Mundial com “O Homem do Prego” (64). Seus roteiros e longas-metragens, inclusive, eram conhecidos por abordar as fronteiras da moral, a atuação da polícia e criminalidade, não raro se passando em Nova York – a cidade era uma de suas paixões, da mesma forma que para Woody Allen e Martin Scorsese.

Foto: DivulgaçãoAmpliar

Faye Dunaway em “Rede de Intrigas” (1976), vencedor de quatro Oscars

Lumet ajudou a cristalizar a carreira de Al Pacino com os policiais “Serpico” (73) e “Um Dia de Cão” (75). Entre eles, realizou talvez a mais famosa adaptação da obra de Agatha Christie, “Assassinato no Expresso Oriente” (74), com Albert Finney no papel de Hercule Poirot. Foi com “Rede de Intrigas” (76), no entanto, que se passa numa emissora de TV, numa ácida crítica à mídia, que o levou à consagração. O filme teve dez indicações ao Oscar, ganhou quatro (com prêmios de interpretação para Peter Finch, Faye Dunaway e Beatrice Straight), embora o diretor tenha saído de mãos vazias. Só foi recompensado pela Academia de Hollywood em 2005, com um Oscar honorário.


Entre os poucos pontos baixos de sua filmografia está “O Mágico Inesquecível” (78), musical baseado em “O Mágico de Oz”, com Diana Ross e Michael Jackson como o espantalho, um fracasso de crítica e bilheteria. Mas para cada decepção, havia quatro ou cinco sucessos, numa média impressionante de êxitos. Outros destaques de Lumet são “O Príncipe da Cidade” (81), “O Veredito” (82) e “O Peso de um Passado” (88).

No fim da carreira, cometeu alguns deslizes, como a refilmagem de “Gloria” (99), dirigido originalmente por John Cassavetes, com Sharon Stone no lugar de Gena Rowlands. Seus últimos trabalhos, contudo, realizados de forma quase independente, tiveram boas críticas – “Sob Suspeita” (2006), no qual Vin Diesel interpreta um mafioso, e o excelente “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto” (2007), com Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Albert Finney e Marisa Tomei.

Indagado pelo jornal The New York Times da razão pela qual trabalhava com cinema, Lumet respondeu: “Faço isso porque gosto e é uma maneira maravilhosa de gastar sua vida”. Casado quatro vezes, o diretor deixa duas filhas e dois enteados.


Fonte: Ultimo Segundo


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